Chá no lugar do vinho: as quatro harmonizações que levamos ao Mundial do Queijo

Na 4ª edição do evento, em São Paulo, a queijista do Museu do Queijo e a produtora Regina Sugayama conduziram uma degustação guiada de chás e queijos. A sessão virou matéria no Paladar, do Estadão.

Quem passa pelo balcão do Museu do Queijo costuma perguntar qual vinho levar. Em 2026, no Mundial do Queijo do Brasil, a pergunta foi outra: e se fosse um chá?

Na 4ª edição do evento, em São Paulo, Shirley Rodriguez, queijista do Museu do Queijo, dividiu a mesa com Regina Sugayama, produtora de geleias e chás. A ideia nasceu de uma cena que todo anfitrião conhece. “Alguém vai na sua casa para comer queijos e vinhos, mas nem todo mundo bebe. O chá entra como uma alternativa interessante e possível”, contou Regina ao Paladar.

As combinações foram montadas a partir da análise sensorial, ora pela semelhança, ora pelo contraste. “Existe um lado técnico, mas ele é só um mapa. O mais importante são as suas referências e experiências”, disse Shirley.

Por que chá? Porque ele tem o que um bom par de queijo pede: variedade de sabores, taninos em alguns estilos e muita complexidade sensorial. E serve a quem não bebe álcool, que muitas vezes fica sem opção numa mesa de queijos.

As quatro combinações da degustação

  1. Cold brew de jasmim, chá verde e capim-limão com queijo branco fresco. A infusão a frio deixa o chá delicado e perfumado, e pede um queijo jovem e suave que não o encubra.
  2. Chá de cacau com queijo de média maturação. Um chá encorpado, de notas quentes, encontra um queijo de três a seis meses, que já tem notas tostadas mas ainda guarda cremosidade.
  3. Pu-erh com queijo de mofo azul. O chá fermentado e envelhecido, profundo e terroso, pede um queijo à altura. “Para um chá tão intenso, é importante trazer um queijo à altura, para que um não se perca no outro.”
  4. Drink gelado de hibisco, capim-limão e cachaça com queijo de búfala. Uma proposta para dias quentes: o chá limpa a boca e o queijo leve e cremoso traz untuosidade. “A ideia é manter a leveza e a refrescância, com um queijo que traga cremosidade sem pesar.”

Sem certo e errado. Para quem está começando, a harmonização por semelhança é o caminho mais direto; o contraste fica para um segundo passo. Mas a mensagem final da sessão foi outra: “Não tem certo e errado. Tem experiências.”

A conversa não terminou no evento. Os queijos e as geleias que acompanham essa ideia estão no balcão do Museu do Queijo, em Santa Teresinha, e a queijista indica a combinação na hora.

Leia a matéria original no Paladar: Chá e queijo: o guia completo de harmonização que surpreende iniciantes.

 

Regina Sugayama da Delichat e Shirley Argote do Museu do Queijo 

Box: chá e queijo em casa

Um guia rápido, com os princípios usados na degustação, para o leitor testar no fim de semana.

  1. Chá leve ou herbal → queijo jovem. Cabra fresco, minas ou queijos com até cerca de 30 dias.
  2. Chá encorpado → queijo de três a seis meses. Chá de cacau, por exemplo.
  3. Chá potente → queijo potente. Pu-erh pede um azul cremoso e marcante.
  4. Chá gelado → queijo leve e cremoso. Búfala ou burrata, com um fio de azeite.
  5. Comece pela semelhança. Depois arrisque o contraste.

No Museu do Queijo: peça à queijista uma seleção de três queijos para testar em casa.